Procurador Geral da República determina abertura de investigação sobre invasão em hospitais em todo o país

Neste domingo, um grupo de deputados invadiu um hospital de campanha no Espírito Santo

PGR autoriza MPs investigar toda invasão a hospital - Crédito: Reprodução - Agência BrasilPGR autoriza MPs investigar toda invasão a hospital - Crédito: Reprodução - Agência Brasil


O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a abertura de investigação contra as pessoas responsáveis por promover invasões a hospitais neste período de pandemia do novo coronavírus.

Aras ordena aos procuradores-gerais de Justiça que reúnam indícios sobre episódios ocorridos nos estados para responsabilizar políticos e quaisquer outras pessoas que tenham promovido desordem ao entrar em unidades de saúde.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu em uma live na semana passada, que que pessoas entrassem em hospitais de campanha, hospital público e filmassem os locais. "Muita gente está fazendo isso e mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, disse Bolsonaro.

Porém, a PGR não incluiu o presidente como do procedimento porque, na avaliação do procurador geral, a conduta de Bolsonaro não configuraria crime. A ação ilegal, na visão da PGR e também foi destacada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, neste domingo, 14, está no ato dos invasores.

A PGR deixou claro, que vai atuar até mesmo contra pessoas com foro privilegiado que invadiram ou que invadirem unidades de saúde, como é o  caso de parlamentares. O MP vai investigar mesmo os que têm imunidade parlamentar e poderá denunciar à justiça, caso fique comprovado o crime.

“Invadir hospitais é crime – estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso – para não dizer ridículo – que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, afirmou o ministro Gilmar Mendes.

No dia 5 de junho, um grupo de cinco deputados estaduais de São Paulo invadiu o Hospital de Campanha do Anhembi para realizar supostamente uma vistoria no local. O episódio terminou em tumulto.

Um dia depois da live do presidente Bolsonaro, cinco pessoas de uma família invadiram um hospital no Rio de Janeiro, causando tumulto e até danificando equipamentos do local, até chitaram portas dos leitos de UTIs.

Neste domingo, 14, cinco deputados estaduais invadiram um hospital no Espírito Santo, também causando tumultos no local. A falta de respeito com as equipes de profissionais de saúde, com os doentes e seus familiares, afirma a PGR, deve ser punida severamente.

Governadores de nove estados do Nordeste publicaram uma carta na sexta-feira,12, em que rebatem o pedido do presidente para que a população entre nos hospitais para filmar se os leitos estão ocupados.

Fonte: RomaNews/Veja em 14/06/2020 as 15h36

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