ILHA DO MARAJÓ PARÁ: Com 3,5 mil casos, falta de transparência compromete combate à covid-19 no Marajó

Seis dos 16 municípios da Ilha não mantém regularidade na divulgação dos boletins epidemiológicos e São Sebastião da Boa Vista não atualizou dados da pandemia em todo o mês de maio

Com 3,5 mil casos, falta de transparência compromete combate à covid-19 no Marajó - Crédito: Fabricio Coleny/Observatório do Marajó
Crédito: Fabricio Coleny/Observatório do Marajó


Com uma população estimada de mais de 564 mil habitantes (IBGE, 2019), a Ilha do Marajó, formada por 16 municípios, ultrapassa, nesta sexta-feira, 12, os mais de 3.500 casos e 190 mortes por covid-19. Breves é o município com o maior número de casos, totalizando 769 e 50 óbitos.
 
A região apontou um crescimento de 565 novos casos no período de cinco dias, indo de 2.988 casos no último domingo, 7, para 3.553 nesta sexta. Os dados oficiais das prefeituras mostram que a covid-19 segue se alastrando pelo arquipélago, mas na realidade esses números podem ser muito maiores.
 
Isso porque a transparência, que é fundamental no combate ao coronavírus e na construção de políticas públicas, é negligenciada na maioria dos municípios. Um levantamento do Observatório do Marajó apontou que São Sebastião da Boa Vista, por exemplo, não atualizou os dados da pandemia em todo o mês de maio.
 
Além disso, o projeto constata que apenas Anajás, Bagre, Breves, Gurupá, Melgaço, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra e Soure publicaram boletins epidemiológicos diariamente. Já Afuá, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Muaná e Santa Cruz do Arari não mantiveram nenhuma previsibilidade na publicação dos balanços.
 
Para Luti Guedes, coordenador do Observatório do Marajó e um dos organizadores do documento, a falta de transparência no número real de casos, além de um ataque ao direito de informação da população que não fica sabendo a gravidade real do problema, prejudica também a gestão pública no desenvolvimento de ações de controle social, por exemplo.
 
“É fundamental no combate à pandemia, que os testes sejam feitos e que esses dados sejam abertos e públicos. É importante esses números de casos e óbitos, espacialização, quais populações mais vulneráveis, para criação de políticas públicas efetivas para prevenção. Se a gente percebe que os casos estão se espalhando mais rápidos no interior do que na capital, então precisamos criar políticas específicas de testagem no interior, sem com que essas pessoas peguem barcos coletivos, compartilhados, para ir até as cidades, que é o caso muitas vezes”, explica.
 
A divulgação dos gastos públicos durante a pandemia pelas prefeituras municipais é outro percalço. Oito municípios (Afuá, Anajás, Cachoeira do Arari, Melgaço, Muaná, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Sorte) têm o portal da transparência elaborados pela mesma empresa, cumprindo os requisitos formais sem, no entanto, publicar dados atualizados.
 
“Em uma pandemia, quando a população está ainda mais vulnerável, é fundamental que os recursos públicos sejam mobilizados e aplicados de forma eficiente e adequada. E nesse cenário a gente precisa atuar de forma mais estratégica, mais precisa, e a única forma da sociedade entender o que é que está sendo feito pelos governos e a capacidade de reação é tendo acesso à informação. É fundamental nesse momento que os portais da transparência sejam ainda mais atualizados”, diz Luti.


Fonte: RomaNews por Fernando assunção e supervisão de Anna Peres em 12/06/2020 as 22h19

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